sábado, 30 de junho de 2007

MAIS PERDIDA QUE O TENENTE BELLO

em meu avião de papel procuro as respostas que me fogem pelos dedos.
sinto pena de tudo, mas principalmente do que há detrás dos montes.
essa terra é perdida de mim, mas ainda é minha.
ela me perdeu quando não me quis como sou, e eu a deixei ir com essa constatação.
eu não sei mais o caminho de volta.
sei um novo, que me assusta.
esse caminho não voa.
ele só faz a pé.
e quando eu for chegar, não darei de cara com a dura montanha gelada de outrora.
mas como o morno vento que corre atrás.
que me junta nessa terra e conduz meu aviãozinho de papel para onde eu nunca quis ser ninguém.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

OUVI DIZER...

salta a cidade pra dentro do carro
as rodas dançam livres da poeira
e os meninos querem mais
mais leite da vaca e menos asfalto
mais pitanga e menos assalto
pois é assim que a vida chega
pra eles de vidros fechados
raio lasers e pais separados
e eles puderam escolher?
seus filhos poderão?
ainda é cedo, conclusão!
no leite da vaca a mãe dá um jeito
e a pitanga tem no sacolão
tem gente da terra querendo concreto
achando que a felicidade é aqui
e que de fruta e leite não se vive mais

segunda-feira, 25 de junho de 2007

TE VENDO AGORA

pé com pé
lé com cré
eu te vejo de lado ao meu lado
pensando em mais nada
mandando em meu pulso
dizendo quem sou
mãos sem nãos
toque de garras
glória ao que sinto
creio de novo no que me diz
eu nunca esqueci
daquela varanda
de esperar as manhãs
e os encontros em amarelo
aquela camiseta
agora ao menos
posso te obedecer
fazer por você
te amar inda mais
céu no céu
cheio de naves novas
nunca luzes que já vi
nuances de azul que foram cinza
mas jamais tão prateadas

sexta-feira, 22 de junho de 2007

NA AVENIDA

até a roupa dela é magricela

a costela é o reco-reco

o tamborim não tem

o bumbo não vem

cuíca sem som

enredo sem dó

a evolução é lenta

o recuo é cedo

nessa noite de carnaval

ela é que se deu mal

ficando em casa esquecida

me olha fantasia!

me chama que eu quero passar

O AMOR ESQUECE DE RECOMEÇAR

súbita falta de ares serenos
a borboleta que não pousa
a inquietude não é pouca
é a mansidão que sufoca
saber-se longe é deixar-me chata
e esse charme que mata
o carma que nos atrasa
ninguém mais vê
seu medo é bobo
não quero mais ninguém pro meu fim do mundo
pensei em você e só
quando aquele tal físico revelou
que a gente acaba mesmo em estrelas

NA MANHÃ EM CIMA DO MURO

haja censura
pra tanta lembrança
um chinelo no pé
é motivo de dança
e quem é que não quer
subir pelas paredes
viver o amor
que seja nos tempos do cólera
do telhado eu vi
a cidade que me fez
e que nos desfez
chamei bem alto
tapei os olhos com força
e deu certo!
a cidade ficou de pé
o chinelo nas paredes
e o amor no telhado

AMANHECEU

luz
direto na cara
sonho e
frio que não sara
ai que bom
não ser nada
pra poder ser sua

...

é que quando eu pensei que o mundo tinha sumido
acendeu aquela luzinha lá no fim do túnel
foi difícil me equilibrar nos trilhos
mas eu pretendo chegar depressa ao acaso de você
porque não me resta mais nada
só o que combinamos
e se é acaso, deixa estar
se é túnel, que não pareça um labirinto impossível
já que meu amor é bem simples, mas capaz de derrubar muralha
tropeçar não me faz cair
mas cair me diz que isso nunca aconteceu desse jeito
jeito inevitável, que nem a morte evita
acabou o pesar
é que eu queria gritar
que prefiro você
a todos os males do mundo

sábado, 9 de junho de 2007

HORA DO VAMO VÊ

estão todos de pé
a hora é agora
você que sofreu
você que chorou
seu tempo é aqui
seu dia é agora
não venha mais medo
esqueça o seu credo
a força que apruma
a certeza é só uma
vai recomeçar
você se acostuma
um dia mais cedo
levanta sorrindo
e come com gosto
o que nem gostava
e só não aceita
a cara desfeita
os olhos molhados
não são de chorar
é a água da pia,
a bica que avisa
que o jeito melhor
foi deixar de secar

terça-feira, 5 de junho de 2007

BACKUP

clara me faz querer ser mar
lenine me mostra nordestina
nelson me acusa sem-vergonha
cartola me faz querer sofrer
arnaldo me conta que sou letra
ferénc diz que sou menina
a ana me deixa ser história
augusto quer que eu seja escória
chico quer que eu seja dele
pro rubem não sou ninguém
carlos me faz querer ser quem?

CORRA PRO NADA

o suor na vida não é nada
sem o tempo da parada
a hora do sono lento
leve, rasteiro como o vento
a cama chama em chamas
mas ele não vai porque é cedo
e não cede
ninguém é nada sem sossego
por muito tempo andou pensando
em quem não pára de pensar
será que é certo ser assim?
pensar em tudo a toda hora
a vida foge e ele corre pro fim
sei que um hora ele foge de si
e corre pro nada porque tem tudo
aí procura alguém
para ver junto o tempo passar
o que ele não sabe
é que o tempo acabou de acabar