terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Chuva fina no meu para-brisa.

Vou viajar e encontrar meus pais e irmãos no Natal. Passaremos o Ano-novo juntos e veremos o resto da parentada. Sempre que vai chegando essa hora eu fico nostálgica, chorona e com mais saudade ainda. Lembro das viagens de carro que fazíamos quando eu era criança no Chevette do meu pai: o chevetóvisk. Todo mundo amontoado e no banco de trás minha mãe forrava um lençol coloridinho (que tenho até hoje) e cada um ia agarrado no seu travesseiro. No dia da viagem, ela acordava bem cedinho e fazia pizza (a massa e tudo!), cortava em pedaços, fazia um suco de maracujá e enchia a garrafa térmica. O carro ficava com cheirinho da pizza quentinha e eu e meus irmãos íamos torcendo pra chegar logo a primeira parada. Tinha um ponto tradicional onde parávamos pra almoçar e tomar sorvetes da Kibon (a gente queria mesmo era o sundae de morango) e o toca-fitas ia embalando a viagem com Rita Lee (Bwana, bwana...), a trilha sonora da novela Roque Santeiro (mistérios da meia-noite que voam longe...) e Roberto Carlos on top. A gente tomava Dramin e ia dormindo um em cima do outro. Sabendo que desde pequenos eu e meus irmãos já éramos grandes, dá pra ter uma noção do mafuá chamado banco de trás do carro, ops, chevetóvisk. Inventávamos mil brincadeiras durante a viagem: acenar para os caminhoneiros, contar os carros e acertar as cores das casinhas da beira da estrada.
A gente reclamava por não ter um carro novo (era o segundo Chevette que meu pai comprava) mas nada abalava nossas viagens de férias. Lembro de quando o Chevette número dois foi comprado. Meu pai estava entre ele e um Escort e torcíamos pelo Escort, claro, mais novo, mais chic e mais caro! Aí vimos meu pai olhar pra um e pra outro alternadamente e, desanimado, escolher o Chevette. Quando ele foi vendido eu chorei tanto, tanto e mais ainda quando eu vi que outra pessoa estava dirigindo e levando nosso carro pra não sei onde. Já passamos muitos apertos por viajar naquele carro...motor pifado no meio de uma estrada deserta, pneu furado na chuva, perigo por conta do excesso de peso que levávamos... mas sabe, o coração daquela família tava ali. Era muito bom poder curtir aquele momento e saber que estávamos juntos. Pra mim carro não é só um meio de transporte, é história. Mesmo hoje, quando "viajo" rumo a construção da minha família eu penso no nosso carro como algo importante, menos pelo valor de mercado do que pela memória que tem dentro.
Então...agora eu me lembro de quando eu e meu marido éramos namorados e ele comprou seu primeiro carro. É ainda o nosso carro de hoje. É o começo de uma nova história.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cora Coralina - Coração e Coragem

Um pedacinho de "Eu voltarei" misturado com "Pão-paz"

"Meu companheiro de vida será um homem corajoso / de trabalho, / servidor do próximo, / honesto e simples, / de pensamentos limpos ./ Seremos padeiros e teremos padarias."

"O Pão chega pela manhã em nossa casa. / Traz um resto de madrugada./
Cheiro do forno aquecido, de lêvedo e de lenha queimada. / Traz as mãos rudes do trabalhador e a Paz dos campos cheios. / Vem numa veste pobre de papel. Por que não o receber /
numa toalha de linho puro e com as mãos juntas / em prece e gratidão? "

mirabilis

um colibri no céu da amazônia
beija a flor e pousa no chão
é raro, sumidor, voador
foge pra preservar seu coração