a tevê que me vê
lá no alto ela olha pra cá
de onde eu deveria ver
ela é sua foi nossa ela é minha
uma tela sozinha
sem antena, sem LED, LCD
ela é caixa robusta
a tevê que ninguém vê
não pega canal algum
não sai do ar no fim da novela
ela é apenas ela
sobra que encaixa o vazio
e espera cobrir menor desvio
aguarda mostrar imagem
sedenta por um clique
ou óbvio chilique
de vilã de um folhetim
atávico objeto de mostrar o nada
me mostra, desconsolada
o breu, meu e seu.