sábado, 23 de fevereiro de 2013

a tevê que me vê

lá no alto ela olha pra cá
de onde eu deveria ver
ela é sua foi nossa ela é minha
uma tela sozinha
sem antena, sem LED, LCD
ela é caixa robusta
a tevê que ninguém vê
não pega canal algum
não sai do ar no fim da novela
ela é apenas ela
sobra que encaixa o vazio
e espera cobrir menor desvio
aguarda mostrar imagem
sedenta por um clique
ou óbvio chilique
de vilã de um folhetim
atávico objeto de mostrar o nada
me mostra, desconsolada
o breu, meu e seu.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Tramela

feito ele que prefere beber o leite talhado
a cheirar antes
igual ao efe do teclado que cisma em não aparecer
e todos os filmes que teimam em terminar sem final
como o sorriso que mudou de destinatário e não encontra remetente
a hora da estrela que nunca estreia porque seu espetáculo é decadência
igual a todo mundo que detesta o gosto estranho
de desaparecer antes do fim
o ooô daquele carnaval que passou (o nosso primeiro)
de cadência em cadência
somos todos
o pavor de existir

E teve aquele dia
em que você desistiu de me levar ao karaokê
e a gente acabou comendo pizza
de três reais o pedaço
só com queijo
eu, expert em bula de remédio,
não li a reação adversa
nos seus olhos envergonhados
enquanto o carro dava ré sozinho
a gente voltava pra casa
pra mim mais um dia entrecortado
por uma noite estranha
pra você, o fim