Terra alheia (Siervo sin terra) - Eduardo Caballero Calderón
"Siervo chegou à praça de Chiquinquirá com dois vergões nos joelhos, pois quando o caminhão freava súbitamente, porque assim tinha ganas o chofer, ia de bruços contra o tabuão dianteiro, ao mesmo tempo em que recebia nos rins uma joelhada do vizinho de trás. Transito tinha a saia negra ruça de pó e pisoteada, como se o caminhão com todos os passageiros houvessem passado por cima dela. (...) os prantos do menino e o odor acre que o caminhão desprendia fizeram-na enjoar, com desejos de atirar-se de cabeçana estrada para morrer de uma vez.
Apesar das torturas que padeceram e dos sustos por que passaram, pois o chofer, meio adormecido, estivera a ponto de despedaçar-se na ponte da estrada de Duitama, Siervo teve a coragem de dizer, quando os descarregaram na praça de cima de Chiquinquirá com Olaya e o cachorro:
- Temos que reconhecer que a viagem foi muito bonita!"
Esse relato, que me faz ter vontade de chorar toda vez que o leio, mostra uma pessoa que mesmo passando por tantas desgraças, consegue enxergar a beleza da vida. E olha que esse trecho mostra apenas o menor dos males que acomete Siervo Joya ao longo do livro.