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Juliana O.
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07:20
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Deve ser para todos os gostos.
Mudar só para que nada mude.
É fácil, impossível, difícil, vale tentar.
Seus olhos são, se preciso, ora azuis, ora cinzentos,
negros, alegres, rasos d'água sem nenhuma razão.
Dorme com ele como a primeira que aparece,
a única no mundo.
Dá-lhe quatro filhos, nenhum filho, um.
Ingênua, mas a que melhor aconselha.
Fraca, mas aguenta.
Não tem cabeça, pois vai tê-la.
Lê Jaspers e revistas de mulher.
Não entende de parafusos mas constrói uma ponte.
Jovem, como sempre jovem, ainda jovem.
Segura nas mãos um pardalzinho de asa partida
seu próprio dinheiro para uma viagem longa e longínqua
um cutelo para carne, uma compressa, um cálice de vodca.
Corre para onde, não está cansada.
Claro que não, só um pouco, muito, não importa.
Ou ela o ama ou é teimosa.
Para o bem, para o mal e para o que der e vier.
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Juliana O.
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08:45
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Estranho nosso pôr do sol
ser o nascer do sol dela
Confuso nosso convívio
ser caro aos olhos dela
Verdade nossa fronteira
ser o fim da linha dela
Faz sentido, então, meu perdão
ser só o sorriso dela
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Juliana O.
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13:56
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Fruta sã
que encontra em boca vã
pífio conforto
derrama nódoa suja
aos pés da frondosa árvore
que sombra fresca
te deu
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Juliana O.
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18:49
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Os olhos que te olham
não mais meus
são os seus próprios
que inescrutam
insólita e culpada retina
Esses outros,
sedentes de alforria
são olhados por olhos
imorais
que tentam em vão te inocentar
Tais pupilas
que ao se confrangerem
rumo ao seu peito
tentam ariar terreno calmo
e só encontram solidão
E para cada cisco
que cisma em deitar
nesses olhos
o meu sopro é único bálsamo
eficaz.
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Juliana O.
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18:41
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