As mãos que decidem
Quando minha mãe coloca a Nina no berço e a ajeita com seus panos, penso que ela fica quietinha porque as mãos da vovó simplesmente decidiram. Tem em seus gestos uma firmeza ímpar, talvez até muito delicada. Admiro como estas mãos podem tocar com carinho e destreza, além de dizer com esse toque: "fique bem". E Nina fica. Ela percebe, que, ao contrário dos meus gestos amorosos e ainda desajeitados, as mãos da vovó sabem o que estão fazendo. As minhas mãos vão cheias de boa intenção mas ainda pecam por não decidir.
Fico feliz ao pensar que ajudei estas mãos a serem assim, afinal, quando filha primeira, fui eu quem minha mãe acalentou pela primeira vez. De certo modo, eu e meus irmãos também preparamos estas mãos para que recebessem a Nina.
Olhando agora minha filha no colo de minha mãe, tenho certeza que estas mãos de avó decidiram, neste instante, que a felicidade existe.
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